De repente eu me vi inútil,
me vi pequena, me vi
pouca.
De repente,
eu já não era mais suficiente.
Só mais um ser humano
como qualquer outro
que só está aqui nesse planeta pra consumir,
pra comer a terra, a natureza toda
e cagar.
E cagar regras,
cagar ovos,
cagar caquis,
cagar bobagens.
De repente tudo que eu faço é desperdício,
é fútil, é ridículo, é sem sentido.
De repente me fiz em produto
dessa cultura que me fez objeto,
me fez tão objeto.
De repente,
minhas coisas são dispensáveis.
Minha existência só existe na minha cabeça.
Se eu não existisse, não faria a mínima diferença.
De repente, eu sou um nada,
um papel em branco, um vazio estranho.
Um sopro que pode ser tranquilamente dissipado,
sem saudade,
sem tempo,
sem hora,
sem passado,
sem corpo,
sem pudor,
sem saco,
sem estrutura,
sem chão.
De repente, me vi vagando.
Um ser de desperdícios, de consumo,
de gastos, de nada.
De repente me vi morta e pensei que tanto faz.
Minhas lágrimas não são rio,
não vazam para o oceano,
nem ao menos molham as plantas.
De repente me vi em excesso,
me vi sobrando, me vi gordura,
me vi puta, me vi sem mim.
Agora eu vou dormir e,
de repente, eu vou pedir para não mais acordar,
para parar de ocupar o lugar de alguém que
poderia ser.
Perdi a fé no todo,
na coragem, no amor,
no mundo,
nas deusas.
De repente, então,
não mais acordar.
Talvez eu possa, então, começar a existir.
Boa noite, meus amores.
De uma coisa vocês podem ter certeza,
eu as amei. Do maior amor que a minha era possível,
Ana Clara e Catarina,
vocês são o que eu entendo como,
pelo menos, um ponto de Deus
que me fez ao menos sonhar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário