05 junho 2026

Ordinária Dialética

- Ninguém mais sabe, além de vocês, que eu só uso roupas de homens mortos. De preferência com aqueles micro furos no peito, vocês sabem de mais.
- (Silêncio)
- Eu fico aqui, falando e falando, pensando muito mais que falando, mas vocês não me dizem nada, só ficam ai paradas que nem umas múmias. 
- Confesso que ate é melhor assim, porque se fossem outras teria que dar muitas explicações, teria que argumentar e convenhamos, nada melhor do que ter só um espaço para colocar seus delírios imaginários para fora. 
- Ninguém sabe além de vocês que a maioria das vezes eu choro sozinha, hora aos prantos como uma desesperada, hora bem recatada e bonitinha quando cai apenas uma pequena lágrima por um dos olhos, vocês sabem demais. 
- Eu quero me arrepender das coisas que eu fiz, mas principalmente das que eu deixei de fazer, e vocês sabem que foram bem poucas. As que eu deixei de fazer, hora!!! Como assim?? Mas eu não consigo, não consigo me arrepender de nada, eu tenho uma incrível força de aceitação e resiliência, desde sempre. Além do que, essa historia de eu contar as coisas mais secretas pra vocês sobre mim me dá uma preguiça absurda.
- (Silêncio)
- Sim, por isso mesmo, por isso que nunca acreditei em terapia, na real. Imagina você ter que pagar para alguém realmente te ouvir (ou fingir que sim). Um espaço onde você só fala de você, sobre o eu, eu, eu, eu aquilo, eu aquilo outro, e continua num looping ridículo pra caralho, porque somos ridículos pra caralho e não vemos nada alem do eu minúsculozinho que mora dentro da nossa cabeça vazia e rasa pra caralho. Ai eu fico com preguiça, depois vergonha, depois ódio e por fim o nada acontece. Sim o nada né, vocês sabem da minha história de sempre ir nadar a enfrentar um consultório de psicólogos etc…
- Nunca acreditei nisso, porque não acredito no ser humano, acho tudo muito falso, todo mundo me parece como uma legião de bonecos, tentando vencer um sobre os outros mudando apenas as virgulas, os substantivos e adjetivos, mas no fim da frase todos dizem a mesma coisa: nada. 
- Ai você que tem dinheiro, porque precisa pagar o psico, porque precisa ter no mínimo esse espaço pra falar de si, do seu euzinho ridiculozinho, hahahaha chega a ser até bem engraçado e vocês sabem minhas predileções e sobre o que penso da comedia né?!!?
- (Silêncio) 
- Bom o fato é que se é pra eu parar o tempo que pra mim é super relativo, sim, Einstein ja provou que sim, e o meu anda com tração nas 4 e ainda motor de infinitos cavalos, para ter que falar de mim, vira piada pronta. 
- Ah! Vocês sabem que também foi agora, não sei bem se foi o próprio Einstein que falou do calendário cósmico? Pois é, provavelmente foi, imagina se ele ficasse só pensando em si próprio, ou falando de si próprio, tudo o que nós e ele perderíamos de sabedoria?! Então parece que por esse calendário a nossa vida aqui nesse planetinha, o pálido azul, dura cerca de milésimos de segundos?!! Hahahaha 
- Aaaahhh a de vocês não, verdade… mas igualmente pode ser finita né não?! Mesmo vocês sendo quem são, nessas condições e tais… bom mas enfim, fico aqui horas nem sei, com vocês, e é isso, só queria mesmo dizer isso. 
- (Silêncio)
- Mas sabem que com o meu psico mais recente tenho aproveitado muito melhor esse tempo de gente maluca, juro!!! Tipo... não sei se ele percebeu que sou evitativa. Tento não falar a meu respeito, sobre o dj maluco que mora na minha cabeça, ou o meu euzinho ridiculosinho, ou o meu sadicosinho também… tento sempre aquela desviada breve para algum assunto mais consistente, mas interessante, mas ele consegue me deixar nua, ele é sutil, pega na ferida como somente eu mesma faria comigo ou quando converso com vocês
- Hoje eu conclui que escrevo, penso e falo pra caralho, e por todos os lugares, principalmente os textos, e entendi que os textos que escrevo à mão, são para serem escritos assim e somente assim permanecerem, tipo, não adianta passa-los a limpo no blog para que eles sejam vistos, de certa forma, “publicados”, vocês me entendem?
- Esse escritos que são feitos à mão em diferentes superfícies, permanecem assim, é assim que eles têm vida, tem alma, assim que eles existem, Essa historia de passa-los a limpo matam eles. Perdem totalmente a função, a beleza, a alma, eles morrem
- (Silencio)
- Ja quando faço textos diretamente aqui, eles são daqui, é aqui que eles existem e ponto final
- Grandes coisas né?!
- Hahahahaha

é dessa falta que você me faz que eu aprendo a cada dia continuar mesmo querendo o contrário, pai,

acontece que te encontro por perto assim, nem mais, nem menos. vez ou outra quando abro uma pasta aqui outra ali, ou acho um bloco antigo meu que no verso você assinou e não faço idéia do porquê. nessas horas me esforço tanto para estabelecer uma comunicação com o além, tento te encontrar pra só estabeler um diálogo mínimo que seja, qualquer palavra, qualquer assovio, já acalentaria meu coração. o luto é a única coisa que não morre.

A realidade é que nunca houve realidade alguma

Sempre foi uma fantasia (ponto final).

Essa afirmativa me rendeu um dia inteiro de choro exaustivo. Imagine-se  você, por um momento de instante, tomar consciência de que, boa parte do que você viveu, não foi real. 

E por que que a fantasia não pode ser a realidade? 

Por que a fantasia compartilhada não pode ser a grande busca pelo o que podemos ser? 

Se em Delfos já estava escrito:"conhece-te a ti mesmo", mesmo sendo um ode à racionalidade Apolonisíaca será que então, essa tão mágica e incrível fantasia não seria a nossa própria busca, a nossa própria jornada? 

Será que não seria o espectro "parafernalhoso" um guia para os seres dotados do "ser", configurando-se um, quem sabe, facilitador?

Hum hum Hum, diga para mim.

31 março 2026

o título é: pense o que você quiser


mas




procura




suas




próprias




respostas




você perdeu mas está livre



intuição é quando você recebe as instruções




e Amor Fati





é quando você não quer ir embora






então eternidade é não se arrepender


e


não é o masculino de otária


e


isso importa?



28 março 2026

o espectro parafernolhoso

Platão, devo confessar que, a ausência de comentários nesse blog (meu belo lugar midiático cavernoso), não me faz sentir menos invisibilisada quando comparado ao tempo que passei enfeitiçada por um espectro curioso. Em minhas últimas investidas em tentar analisar o complexo amniótico envolto a material genético, digamos que, em plenas condições de sobrevivência no planeta Terra, não se faz indiferente a mim, pelo contrário! Tal "coisa" (vou chamá-lo assim por hora), é em minhas últimas conclusões, uma notória amostra bípede, constituída de todos os artefatos materiais, orgânicos e naturais que um ser mamífero, como eu mesma, possuo. Assim, constituído de consciência elevada, é capaz de articular sons aos quais se habilitou a aprender como as linguagens faladas e também escrita, essa por último sem muito espaço para criações próprias e originais, admito. 

Entretanto, consegue fazer sinapses, e tem uma capacidade gigantesca de parasitar outros seres, criando simulações perfeitas para si mesmo! Que curiosa "coisa" se vê existir, não achas? Contudo, apesar de todo esse corpo pesado que carrega consigo, até meio assim.. parafernolhoso e exagerado, me parece que falta-lhe o recheio. Sabe? Aquele magma incandescente, fluído, líquido, gasoso, rarefeito e colorido que existe comprovadamente em outros seres semelhantes. A minha falta de sorte, Platão, nesse caso em específico, foi ter entrado em contato direto com a "coisa" e por causa de (aqui entra uma NOVA e ENORME LACUNA posta em ordem de prioridade investigativa na minha existência) não sei como, aceitei a "coisa" como um ser dotado de subjetividade, além de tudo o enalteci, glorifiquei, o engrandeci com magnânima importância, um semi-deus praticamente! 

Hora que tola, assim tão abismadamente, me deixei levar, e deixei de ver o que ele realmente se caracterizava de fato: um espectro, sim, um simulacro espelhador de minutos, de momentos, ao passo que conferindo-lhe as duas pernas, podia então, se mover livremente por todo o espaço a que estamos sujeitos a estar, o mais precioso aqui e agora, incluindo aqui o meu espaço. Que coisa! E ainda, não menos importante, a "coisa" espectro simulacro, MESMO não se tendo nada por dentro, foi capaz de se reproduzir.  ...  aqui entra o silêncio agonizante porque não quero dar mais detalhes técnicos sobre isso.

E portanto, meu caro Platones, se não há aqui, leitores das besteiras que me presto a escrever, em nada muda meus sentimentos (é mentira tá) essa tal ausência de comentários, imagina que alguém em 2026, terá a façanha de achar esse endereço, quase que não indexado na rede mundial de computadores, permanecer nele por mais de 2 minutos e, ainda por cima, ler meus textos nada iaizados, um tanto estranhos e por vezes incompreensíveis(?). Não ser vista, me parece algo bem normal no meu contexto humano. E para a fatídica conclusão não menos conclusiva (sabe como é a pessoa aqui né Platãozones) a mais pura verdade é: queria eu não, ter visto a "coisa" também, que tremenda ironia! 

   eis, ai Platão, uma grande questão:

  1. como des dizer?

  1. como des ver?

  1. como des aprender?
  1. como des odiar?
  1. como des fazer?


17 março 2026

14 março 2026

Aliás, hoje é o dia do 𝜋



Parabéns Pi. Tenho certeza que você é especial, sem você uma porção de invenções tecnológicas não aconteceriam. O que é mais curioso 𝜋, é que até mesmo o Google fez homenagem pra ti, só que esqueceu de citar seus feitos, suas conquistas, sua real utilidade. Mais uma vez 𝜋, nos ancoramos em informações e fundamentos rasos, quase vazios, como nós, não é mesmo? Uma pena, mas o que eu posso te dizer? Apenas parabéns pelo seu dia! 

Ainda sobre contar os dias, as horas, os minut...

Existe a lei do eterno retorno de Nietzsche que para mim é genial: ele questiona, se a vida fosse uma constante repetição de eventos, um looping eterno de acontecimentos iguais, você se arrependeria de suas decisões passadas e do que você viveu? Você aceitaria viver tudo novamente? E novamente, e novamente, eternamente?

É uma pergunta. 

Pense sobre sua resposta. 

Se quiser, compartilha aqui comigo. 

Talvez nesse momento você comece a fazer mais trilhões de outras perguntas para responder a primeira ali de cima, eu mesma já estou me fazendo, ha algum tempo. 

Por exemplo, para se decidir sobre esse assunto, como posso eu medir o estado dos eventos, se foram bons ou ruins, para querer de fato repeti-los eternamente? 

Uma das formas, já respondo, é você criar uma régua para medir, certo? 

Mas como? 

Talvez começando com um filtro simples: quando um instante de vida é bom para você?

Para mim, é quando eu desejo que ele nunca acabe. 

E desses instantes eu tive uma porção. Confesso.

09 março 2026

O dia para se comemorar um dia


Nada, nunca, me fez menos sentido do que existir um dia para se comemorar o "dia internacional da mulher", principalmente nesse ano do calendário gregoriano de 2026, ano em que completo 44 anos. Aparentemente o que a história conta, é que esse dia foi criado a partir de diversas lutas feministas, desde meados de fevereiro de 1909, com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Do alto da minha escassa racionalidade, o fato de existir o dia para se comemorar o dia da mulher, não é, ou não deveria ser uma questão para mim, deveria ser como qualquer outro dia do calendário. Não deveria nem mesmo eu dedicar meu tempo e pensamento para refletir sobre ele, que viagem! Mas vejam que ironia, não foi e não é assim que funciona. Esse acontecimento de atravessar a data, principalmente no dia de ontem, em meio a anos complexos em termos de violências (feminicídios, genocídios, estupros coletivos, guerras, entre outros), culminou em grande mal estar dentro de mim, e não somente por que o acho tão sem nexo, sem sentido, sem razão. Provavelmente ele contém algum outro gatilho mais profundo, que me exagerou a dor psíquica. 

Confesso que todos os anos anteriores, desde que essa questão surgiu à tona: a de se "comemorar o dia da mulher", sempre fez surgir em mim uma sensação estranha, uma dubiedade, um borbulhar interno, misto de excitação com estranhamento, desconexão, algo de estranho e também desconhecido, do tipo: me felicitavam por esse dia, e eu não sabia o que dizer, sem nem ao menos ressoar um "obrigada" como resposta. Ao passo que sempre ao se aproximar essa data, o mesmo esquema afetivo, emotivo, degradante sentimental vinha à tona. E por que? Me questiono.

Estava eu agindo conforme ao que se era esperado de uma mulher nessa situação: sorrir ou enviar um coraçãozinho como resposta às mensagens? Estava eu sendo sincera com aquela comunicação muitas vezes atravessada por homens e mulheres que apareciam "do nada" para me felicitar? Que estranho eu ter que conviver com tamanha hipocrisia anual, pensava eu. E começava a me questionar o porquê estava sentido tudo aquilo. Se não havia e nunca houve importância alguma para mim, o que seria todo esse pesar de algo que nada era?

Na verdade essa reflexão posta em palavras só ocorreu, realmente, agora, quando consegui vomitar tudo o estava dentro de mim, fermentando. O que me ocorreu nessa instancia da vida foi que, juntei os acontecimentos recentes, tanto os meus pessoais, como os do mundo civilizatório contemporâneo, aos meus estudos atuais, culminando em teorias existencialistas de Sartre, o constante instante do devir de Nietzsche, o niilismo pessimista de Schopenhauer, as profundas e complexas teorias sobre as diferenças de gênero de Simone de Beauvoir, o erotismo de Bataille, as relações de poder sobre os corpos de Foucault, a modernidade líquida de Bauman e as questionáveis construções da linguagem pós-socrática cristã, cartesiana, exclusivista e finita, tão exaltada por Viviane Mosé entre outros grandes filósofos, historiados e pensadores modernos que são meus melhores amigos.

Ufa. Talvez tenha esquecido de mais uma porção deles e outros conceitos que me atravessam o ser diariamente. O fato é que: QUE PORRA é essa em que, homens e mulheres, do alto de suas vidas insignificantes e medíocres, acreditam que se deve parabenizar outro ser, cuja palavra denominada mulher é ao mesmo tempo assassinada, aniquilada, desqualificada, objetificada, subjulgada, escravizada, reduzida a uma mercadoria barata, que se pode manipular à vontade? Simplesmente NÃO FAZ SENTIDO ALGUM! Sério que existe alguém que não vê isso? Acho que me fiz clara, mas caso você que, me leu até aqui, não tenha compreendido a minha linha de raciocínio, pode questionar, abrirei o debate com maior prazer. 

Portanto, não me venha com rosa, parabéns, blablabla qualquer. Antes de tomar meu tempo e o seu, pense. Reflita, tente adquirir algo que vejo com tão pouca frequencia nas pessoas, ultimamente, a capacidade de pensar, de imergir dentro de si, de tomar consciência da realidade que o cerca. Sei que é complexo viver dentro da nossa bolha civilizatória nos tempos de hoje, mas penso que se eu não falasse tudo isso ficaria novamente trancado em minha garganta e eu passaria o próximo ano pelo mesmo episódio de nojo e asco de todos os outros anos anteriores. 

E aproveito essa janela de oportunidade midiática para AGRADECER imensamente aqueles que permanceram e seguiram suas vidas sem perder seu valoroso tempo em me parabenizar pelo dia mais ridículo de comemorar o dia de ultimamente. 

Afinal de contas quem criou o dia dos dias mesmo? Por que há, afinal de contas, essa necessidade de se ter um dia dos dias para se comemorar? Tipo contar o tempo nada mais é que apenas olhar para o tempo que falta, ou o tempo que já passou, e nessa equação falta tudo, falta realidade, falta presença, falta senso de empatia, falta inteligência, falta respeito, falta amor próprio, falta muita coisa.