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24 junho 2026

Eu sou Mãe de Vento,


 Eu sou Mãe sem Ventre

- Daí o texto começa assim ó, né ta no diário, 20 de junho de 2026 às 2h28 da manhã.



“É que nem ouvir Radiohead sem ter conhecido a Naiara.”


Aí eu fiz uma seta.
O pensamento era sobre o que a tristeza é.

Sinto que a tristeza é o contrário de amar.
O mesmo tanto de amor que se pode sentir é inversamente proporcional ao tanto que se pode “tristeziar”.

Tristeziar alguém não é o mesmo que odiar alguém.
É um sentimento tão grande e avassalador que não entendo porque não é um verbo de direção ao objeto, como o ódio. O ódio pode ser dirigido tanto a um objeto quanto a um sujeito, a tristeza não.


A tristeza é passiva, é pessoal, é solitária. Ela é vitimista, é independente, é irmã gêmea do abismo.


Ela não pede licença. Tem carteirinha branca, passe livre.
É velha e prepotente como eu, igual. Será que eu também sou sua gêmea?
Tristeza deveria ser verbo de ação, ativo e direcionado.

Será que é por isso que se ressente?
Será que é por isso que a tristeza é tão cruel?
Será que é porque eu não posso dizer: eu te “entristezo”, seu filho da puta, eu te entristezo a ponto de querer que você engula uma granada e morra, explodindo por dentro, mesmo que essa pessoa seja eu.


Então, tanto o ódio como a tristeza podem ser sobre você mesma(o).


Mas o ódio é doutor, é bruto, é a violência, é Marte, é mais rápido e passageiro. Já a tristeza é cruel, é sádica, é silenciosa, invisível, muitas vezes até imperceptível, é traiçoeira, é devasta, é psíquica, é um verbo mortal da espera e ela não é verbo de ação, ela é ativa mais do que a gente pensa, mas ela age só em e para nós.

Ela não pode matar o outro, só a nós mesmos.

Talvez esteja aí o seu maior poder, pois se porventura ela vir a assassinar quem a possui, logo, pode ser que também mate o outro que a gerou, por tabela.

Hum, isso me parece uma vingança, muito maior do que se o assassino fosse o ódio.
.
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Que dúvida.

"
Tristeza é o mesmo que parir o vento.

Ódio é o mesmo que jamais poder parir.

 

"


Tristeza é, mesmo amando incondicionalmente sua filha, enxergar nela eventualmente, o rosto de quem você odeia.



Não entendi.
Nem eu.




22 junho 2026

1º Ato



Estou atrasada, perdão. Me demorei muito longe de ti. Insistia em viver livre e que seria livre longe e não junto de você. Me e
squeci de te perguntar muitas coisas. Estou atrasada, pensando em todos os sábados em que você não estava. Em todos os eventos importantes que eu te queria presente e minha vista não te achava, teu abraço ficava distante, sempre foi assim né? Não me lembro de muitos abraços, na verdade pouquíssimos nos demos, que pena. A dinâmica entre a gente era mais sobre criar, ver filmes, ouvir e decorar músicas, e como isso era bom! Você mantinha meu mundo girando e mesmo sem perceber me instigou a pensar, desde muito cedo, PAI.


Mesmo atrasada eu quero vir te contar, que talvez eu nunca tenha te agradecido por tudo isso. Então, obrigada. Tudo pode começar de uma forma agradável, principalmente uma história, uma ficção, que aliás as científicas eram uma das tuas preferidas. Só que me dei conta, do nada, que sou uma ressentida. Sim. Que loucura, que absurdo, que ilógico, que cafona Jessica.

Mas sim, você é Jessica, aceita isso, pra ver se por acaso dói menos, tá bem?

Quem disse? Não dói menos, em nada, isso não muda nada, só o fato de que a realidade, além de ácida e áspera, também faz de você ainda mais ressentida, e por consequência, triste.


Esse é mais um sábado que você não está, na verdade, esse é mais um sábado que eu não estou, que eu não estive, que eu desperdicei sem estar com você, PAI.


PAI, nunca imaginei o tamanho que a sua falta iria me fazer. Eu tenho vergonha de pensar que o meu choro automático, meu vazio buraco no lugar de um estômago é só transferencia, sabe? Fico me achando a maior impostora do universo. Parece que te uso para manipular a tristeza, pra poder sentir, pra poder escrever, pra poder ser alguém e não um clone, uma ovelhinha como você costumava dizer. Essa parte mesmo não lança mão de desaparecer, sabe? Você falando, milhões de vezes, para não ser ovelhinha, PAI, você continua falando na minha cabeça. Você lembra? Não lembra né, porque você não existe, nem nunca existiu, só através de mim, dos meus olhos, do meu coração e agora dos meus pensamentos. “Os mortos vêem pelos olhos dos vivos”, disse Gullar. Sábio velho Gullar, que só achei graça porque era um xerox do vô Flávio.


Essa falta que você me faz, às vezes fica mais distante, me deixo levar pelos eventos que a cada dia ocupam mais meus dias, principalmente com as suas netas. Você é o PAI que eu quis, que eu escolhi, porque você me quis primeiro e muito, eu sei. Sei do esforço que você fez para me ter nos braços, PAI. Eu quero que Freud morra, exploda, cada vez que escuto ou leio o que ele fala sobre a busca do pai em cada um. Generalista do caralho. Ele jamais saberia o que estou sentindo sem a tua presença aqui.



Tudo ficou mais desgovernado, mesmo que você enquanto estava aqui não governasse muitas coisas, aparentemente. Se antes eu era aquela folhinha voando ao vento, com você para me falar sucessivamente para não ser essa folhinha, pense como que estou agora sem você aqui.



Como fui leviana, PAI. Se ao menos hoje eu pudesse voltar no tempo e te encontrar em ossos, haveria uma lista oceânica de perguntas que eu não fiz enquanto podia. Que baita trouxa, que baita lição. A minha pergunta de agora seria: O que é ovelhinha para você PAI?


(Silêncio)


Ainda sobre as perguntas que eu quero te fazer, mas sei que jamais terei as respostas, PAI. Por que você gostava tanto da música Stand By Me do John? E sempre a tocava e cantava para mim, inclusive em um dos teus shows, quando eventualmente te acompanhava na época. Acho até que você não cantava mais, ficava apenas como o maestro da sua banda, mas aquela noite você cantou pra mim, por que, PAI? O que você via nessa canção que você gostava tanto? Me diz por favor. Por favor… por favorzinho… vou continuar aqui esperando e colecionando todas elas, tá? Elas, as perguntas, ora!


(Silêncio)


Você me amava, PAI? Você me ama?


Fecham-se as cortinas.

25 novembro 2025

Ouvir é amar

"Você tem que ter um amor no ouvido para ouvir"

"O ouvido tem que estar que nem um coração, sabe?"

 

Pingos de sabedoria de Viviane Mosé, que apesar de desconhecer totalmente minha existência, é a minha primeira mestra (nesse lugar de despertar). E só posso creditar esse fabuloso feito existencial à magia do algoritmo virtual (que ambas admiramos, por sinal).

e para amar a vida...

Para amar a vida, primeiro é preciso amar o tempo.

Para amar o tempo é preciso encará-lo de frente,

olha-lo nos olhos, conhece-lo através dessa lente, 

a da alma.


Para amar o tempo, 

deve-se convida-lo para ficar, tomar um chá,

ou apenas o acariciar 

as entranhas mais profundas.


Para amar a vida, então,

após se deleitar as margens das curvas do tempo 

que nos engole

deve-se fazer esse pacto de firmeza,

aceitar a sua natureza

e transmutar tudo isso

em alegrias.


Hoovering?

Inteligência?

Estratégia?


Amor?


Pulsão?


Como saber o que é ou não é a verdade? 

Mas para que serve a verdade mesmo?

Isso importa?

11 novembro 2025

E "poque"?

🫀

Por que o ícone do amor é o coração? 

Por que é vermelho? 


Eu chuto, ainda sem dados concretos verificados, que há bastante tempo, bastante mesmo, já havia-se observado que a dor do sentimento mais profundo e bom, é sentida por nós, bem próximo ao coração, aliás,  ali encontramos também um chakra bem importante, que chamamos coronário ou Anahata. Chakra são os pontos ou nódulos energéticos que temos em nosso corpo, são pontos específicos onde trabalham as nossas glândulas. 

Então fica um tanto evidente que esse é um dos motivos pelos quais existem essa representação, não desconsiderando outros fatores até então desconhecidos para mim.

Arte não se ensina

 


Arte se aprende

através da percepção natural das coisas.

Tá qui algo que ressoa em mim como amor. verdadeiro e absoluto.


(Antes das seis)

Amor líquido de Bauman, foi o meu primeiro contato com o termo, podendo se dizer assim, científico do objeto. Ainda não terminei de ler, mas já li o suficiente para captar algumas coisas, coisas essas ainda bem confusas em grande parte da minha mente, mas consigo argumentar caso você queira ter um bom diálogo a respeito comigo. 

De qualquer forma, a mais pura verdade para mim ressoa como uma conclusão tipo "insight": "Cara, nunca nos ensinaram a amar!" Que frustante! 

E então começa mais um desafio aqui dentro: Devo ir atrás disso, preciso investigar esse aspecto, esse objeto, esse paradoxo, esse negócio de amor. Então começo pensando, será que existe um senso comum, uma definição oficial e definitiva para "isso"? Amor, é verbo? É sujeito? Fiquei confusa e dei uma panicada aqui agora... como isso nunca veio para mim antes? 

Começo a devagar em uma tentativa frustante de achar um significado atento: na minha visão, para amar e ser amado, é preciso ser você mesmo, sem máscaras, sem fantasia, sem adereços, sem rodeios, sem medo. É preciso um ser inteiro para amar, será isso mesmo? O amor pode nunca chegar... BAH que foda!!! Mas fica tudo bem, mesmo assim, não sei!

O AMOR, esse objeto de estudo, é tão complexo e simples ao mesmo tempo, que despertou em mim aquele desejo interminável e infinito de investigação mais profunda. E então começo a me questionar de várias formas. O que é o amor? O que o amor causa? Quem inventou a palavra amor? Ou em primeira instancia, quem foi o primeiro a codificar esse objeto, delimitou suas bordas e a ele atribuiu uma série de outros objetos e significados?

Minhas Deusas, caí novamente naquele abismo abismal de vácuo e vazio da completa noção de que nada sei a respeito, inclusive de mim mesma. Que arrebatador, que estranho, que viagem, que loucura, que perfeito, que poético, que deleite (poder estudar isso rsrs), que magnanimo e magnífico, que muso inspirador, que tesão, que tudo!!!

Corro ao dicionário (de verdade!). Mas antes de sair correndo até a biblioteca, quero só registrar o que sinto de bate e pronto, saindo do ponto zero: Amar deveria ser natural e não ensinado, decorado e ensaiado. Pronto falei! Vou lá e já volto registrando por aqui tudo que começo a criar sobre isso.

[Dá-se início de um novo trabalho: Antes das Seis.]



Quem inventou o amor? 
Me explica por favor, por favor, 
por favorzinho...