- Daí o texto começa assim ó, né ta no diário, 20 de junho de 2026 às 2h28 da manhã.
“É que nem ouvir Radiohead sem ter conhecido a Naiara.”
Aí eu fiz uma seta.
O pensamento era sobre o que a tristeza é.
Sinto que a tristeza é o contrário de amar.
O mesmo tanto de amor que se pode sentir é inversamente proporcional ao tanto que se pode “tristeziar”.
Tristeziar alguém não é o mesmo que odiar alguém.
É um sentimento tão grande e avassalador que não entendo porque não é um verbo de direção ao objeto, como o ódio. O ódio pode ser dirigido tanto a um objeto quanto a um sujeito, a tristeza não.
A tristeza é passiva, é pessoal, é solitária. Ela é vitimista, é independente, é irmã gêmea do abismo.
Ela não pede licença. Tem carteirinha branca, passe livre.
É velha e prepotente como eu, igual. Será que eu também sou sua gêmea?
Tristeza deveria ser verbo de ação, ativo e direcionado.
Será que é por isso que se ressente?
Será que é por isso que a tristeza é tão cruel?
Será que é porque eu não posso dizer: eu te “entristezo”, seu filho da puta, eu te entristezo a ponto de querer que você engula uma granada e morra, explodindo por dentro, mesmo que essa pessoa seja eu.
Então, tanto o ódio como a tristeza podem ser sobre você mesma(o).
Mas o ódio é doutor, é bruto, é a violência, é Marte, é mais rápido e passageiro. Já a tristeza é cruel, é sádica, é silenciosa, invisível, muitas vezes até imperceptível, é traiçoeira, é devasta, é psíquica, é um verbo mortal da espera e ela não é verbo de ação, ela é ativa mais do que a gente pensa, mas ela age só em e para nós.
Ela não pode matar o outro, só a nós mesmos.
Talvez esteja aí o seu maior poder, pois se porventura ela vir a assassinar quem a possui, logo, pode ser que também mate o outro que a gerou, por tabela.
Hum, isso me parece uma vingança, muito maior do que se o assassino fosse o ódio.
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Que dúvida.
Tristeza é, mesmo amando incondicionalmente sua filha, enxergar nela eventualmente, o rosto de quem você odeia.
Não entendi.
Que dúvida.
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Tristeza é o mesmo que parir o vento.
Ódio é o mesmo que jamais poder parir.
"
Tristeza é, mesmo amando incondicionalmente sua filha, enxergar nela eventualmente, o rosto de quem você odeia.
Não entendi.
Nem eu.

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