é chegar no vazio que expressa exatemente o que existe
a ausência de todas as coisas que um dia você colocou lá
segundo por segundo
sussurro por sussuro
carinho por carinho
zelo por zelo
sonho por sonho
dia após dia
uma construção contínua que só você soube
o tamanho que tinha
o trabalho que deu
as dores que suportou
ventre cada dia mais largo
um corpo morfomizado
ganhando peso
entristecendo
acreditando
amor por amor
semente por semente
grão por grão
luta por luta
esperança por esperança
matar a tudo isso que você mesma criou
é o número zero
na sua cara
dando-lhe um tapa
no vazio
na falta
das cores que sumiram
no céu azul
que derreteu
zero é o fim
e tambén o começo
mas nenhuma mãe deveria sentir isso
em vida
ela morta estaria mais presente
zerar a vida para quem quis
começar com ela
fertil
e certa
é a maior violência que se pode ter
a mãe morta
se esconde nas arestas escuras
nas fendas do que resta
no que restou
do número
que não se conta
que não existe
que nunca existiu
sinto pena dela
delas
de nós
me perdoem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário