23 agosto 2026

16 horas e 31 minutos

Um pequeno corpo de ser, constava de 3 anos de existência no ocorrido, é um pequeno corpo já revelando algumas curvas e músculos, que já fica em pé, forte. Pode correr bem rápido, sentindo o início de algo próximo a uma pequena liberdade. Um corpo frágil, inocente, ingênuo, genuíno, onde o máximo é poder imitar alguém de quem goste, ou papai, mamãe,...... bebê? Também habita um pequeno corpo de 3 anos em minha casa, tão pequeno, tão frágil, mas tão pronto. Ela empina, rola, salta, grita, dá risada, tem vida dentro do corpo de 3 anos dela. Eu sei bem como é essa anatomia, onde ela esteve por seus pequenos quase 4 anos e contar mais 36 semanas dentro de mim. Eu acompanhei esse corpo crescer, e como foi rápido que isso se deu. O corpo aqui de casa, não me pertence, mas também não tem ainda alguém dentro dele capaz de ser alguém já constituído de razão pura para se pertencer. O corpinho que era outro, aquele do início que mencionei, não paira por essas estancias de minha casa. Ao contrário, ao que consta, habitava um lugar muito longe daqui. Ele me marcou profundamente, e mesmo estando eu em fases infinitas de luto, agora um novo, o da minha voz, me fez romper o silêncio dos meu dedos e postou-me aqui para deixar esse registro. Pequeno corpinho de alguém que não tinha nem começado a se fazer presente, já perdeu totalmente sua presença, ela foi ceifada por alguém de quem ganhou a vida. Não sei se eu me fiz entender, é complicado até para mim, conseguir tragar essa história. Esse corpinho deixou a vida depois de sofrer diversas violências brutais. Não é só o corpo que sofre a dor, mas a alma e quando a alma é ceifada, agredida, violentada, não se tem o remendar, o regenerar, verbo tão potente que só seres vivos tem como poder divino. Onde está o tal divino aqui? Onde estamos? Para onde estamos indo como seres humanos? Eu não tenho como sentir mais pesar. 

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